O que, em um mundo ideal, deveria definir alguém como escritor não é o fato de publicar livros ou dar palestras em festivais literários ou usar roupas pretas; é pertencer a um grupo distinto de pessoas que, sempre que estão confusas ou angustiadas, ganham o maior alívio possível em colocar as coisas no papel. “Escritores” no verdadeiro sentido são aqueles que escrevem – em vez de beber, fazer exercício ou conversar – para sair da dor.
O ato de escrever, especialmente em um diário, está cheio de benefícios terapêuticos. Algumas ideias ameaçam tão profundamente o status quo que, mesmo se nos oferecerem benefícios no final das contas, a mente impiedosamente as “esquecerá” em nome de uma vida tranquila, mas nossos diários são um fórum no qual podemos levantar e nos estimular a responder às grandes perguntas que estão por trás do comando de nossas vidas: O que realmente quero? Devo ir embora? O que sinto por ele?
Podemos não saber ao certo o que queremos dizer até começarmos a escrever; isso leva a escrever ainda mais. A primeira frase deixa a segunda mais clara. Depois de um parágrafo curto que parece ter saído do nada, começamos a saber aonde isso pode ir. Aprendemos o que pensamos no processo de sermos forçados a expressar ideias fora de nossas mentes pantanosas. A página se torna uma guardiã de nosso fugidio “eu” autêntico.
Aqui, podemos fazer votos e tentar segui-los: Chega de humilhação! Acabou o masoquismo! A vida comum pode parecer não ter lugar para fazer balanços e momentos de grande inquisição, mas a página os exige e recompensa: O que estou tentando fazer? Quem sou? O que tem significado para mim? Nunca poderíamos nos safar disso à mesa de jantar, mesmo entre pessoas que dizem nos amar – mas, aqui, eles fazem sentido.