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Autoconhecimento
Duas Perguntas para Proteger sua Atenção
Você se propõe a consultar a agenda, mas, ao pegar o telefone, é interceptado por centenas de mensagens. Você as lê, responde algumas e, num piscar de olhos, percebe que está rolando o feed do Instagram. Uma hora se passou e a agenda permanece intocada. Como, então, reconquistar as rédeas da sua própria atenção?
Navegamos na Corrente da Economia da Atenção
Seja em casa ou no trabalho, um fluxo constante de notificações, mensagens e anúncios disputa sua atenção. O psicólogo e economista americano Herbert A. Simon afirmou, portanto, que vivemos em uma economia da atenção: matérias-primas, trabalho e até dados não são mais o cerne do valor econômico, mas sim sua atenção. É um bem escasso que é constantemente disputado. E isso tem consequências para sua vida pessoal e profissional.
Uma pequena distração pode rapidamente desviá-lo de seu curso planejado. Pesquisas da psicóloga Gloria Mark mostram que, após uma interrupção, muitas vezes precisamos de cerca de vinte minutos para retomar o que estávamos fazendo. Em seus estudos sobre comportamento no trabalho, também se mostra que pessoas que fazem muitas trocas de tarefas podem parecer mais ocupadas, mas também experimentam mais estresse e realizam menos. E isso enquanto muitas de nossas atividades hoje em dia precisam da internet e esta, por um trágico erro, é a fonte mais rica de distração já inventada.
É óbvio que buscaremos a solução em nossa própria força de vontade. Precisamos nos concentrar melhor! Ter mais disciplina! Infelizmente, essa tática muitas vezes não funciona. Para onde sua atenção vai é determinado em grande parte inconscientemente. Constantemente ter que se repreender só causa mais inquietação e um sentimento de culpa, o que o leva a buscar ainda mais distração. Além disso, a força de vontade não é uma característica estável da qual você pode extrair ilimitadamente, mas algo que flutua com o cansaço, o estresse e o humor.
A superestimação do eu futuro não é estranha à maioria das pessoas. Você pensa que será forte o suficiente para resistir à tentação. Que você realmente não ficará preso ou será arrastado novamente. Mas no momento, seu cérebro muitas vezes funciona de forma diferente. As emoções vencem facilmente as intenções.
Além disso, a distração não apenas acontece com você, mas você também a procura para se proteger. Para não ter que enfrentar a tarefa que realmente importa para você, mas na qual você também pode falhar. Para não ter que refletir sobre seus verdadeiros sentimentos. Para não ser rejeitado. Se estiver facilmente disponível, você ainda vai primeiro verificar seu aplicativo de notícias ou dedicar um tempo para formular uma resposta elaborada para aquela pergunta não tão importante de seu colega.
O que os mosteiros nos ensinam
Os mosteiros foram desenvolvidos para ajudar as pessoas a concentrar suas mentes. De certa forma, eram grandes e belas máquinas para evitar a procrastinação e limitar a distração. Eles partiam de uma suposição útil e pessimista: naturalmente nos desviamos facilmente do curso e precisamos de toda a ajuda que pudermos obter para nos dedicarmos às nossas tarefas. – Eles tomaram a compreensão da vulnerabilidade natural do ser humano como ponto de partida.
Os mosteiros introduziram uma série de ‘truques’ para combater a distração.
– Eles geralmente ficavam em locais remotos, para manter as tentações da cidade à distância.
– Eles tinham códigos de silêncio para limitar a fofoca.
– Eles regulavam cada momento do dia para combater a ociosidade.
– Os monges tinham pouco ou nenhum dinheiro pessoal, para que pensamentos sobre compras não causassem distração.
– Eles meditavam sobre a morte e a brevidade da vida para promover um senso de urgência.
– Havia um sistema de confissão regular e orientação espiritual, para que tendências que desperdiçavam tempo pudessem ser reconhecidas e corrigidas.
– As paredes eram extremamente grossas para manter os ruídos distrativos do lado de fora.
– Havia agradáveis corredores sob arcos cobertos, porque algumas de nossas melhores ideias surgem quando caminhamos.
O oposto do mosteiro talvez sejam os escritórios: repletos de distratores, paredes finas e ruídos incessantes. Os mosteiros nos lembram que, se queremos pensar e ter um desempenho de alto nível, provavelmente precisamos de mudanças em nossas rotinas e na estrutura de nossas vidas.
Dois questionamentos para sua atenção
Você pode, portanto, responsabilizar todo o sistema arquitetônico e social em torno da maneira como trabalhamos, em combinação com a estrutura natural de sua mente, por sua distração. Viver como monge não é uma opção para a maioria das pessoas e, enquanto você não o fizer, também não pode esperar de si mesmo uma dedicação monástica. A gentileza e o perdão para consigo mesmo são, portanto, certamente apropriados.
As duas perguntas a seguir o ajudarão nisso. Anote suas respostas e, de preferência, compartilhe-as com outra pessoa, para que você torne um pouco mais difícil fugir.
- Quando a distração me atrapalha e de onde ela vem?
- Posso fazer algo antecipadamente para proteger minha atenção nesses momentos? Se sim, o quê?
Pense em desativar notificações, fazer certos trabalhos em outro lugar, fazer acordos sobre acessibilidade, definir prazos, garantir que você precise relatar seu progresso a alguém. E, quem sabe, resistir ao impulso de atirar seu telefone pela janela.