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Como escolhemos nossos parceiros?

Há uma ideia muito sedutora sobre o amor: a de que nosso coração sabe exatamente o que está fazendo.

Segundo essa visão, basta seguir os sentimentos. O amor verdadeiro surgiria quase como um reconhecimento imediato, uma espécie de bússola interna apontando para alguém naturalmente capaz de nos compreender, acolher e fazer felizes. Durante muito tempo, acreditamos nisso. E, honestamente, ainda gostamos de acreditar.

O problema é que nossos instintos amorosos nem sempre parecem nos levar para lugares seguros.

Muitas vezes, nos apaixonamos justamente por pessoas que nos confundem, nos deixam ansiosos, indisponíveis ou emocionalmente cansados. E, diante disso, a explicação romântica costuma insistir: apenas ainda não encontramos “a pessoa certa”. Precisamos continuar procurando.

Mas existe uma outra possibilidade, menos confortável, porém talvez mais útil.

A psicanálise sugere que não nos apaixonamos apenas por quem nos faz bem. Nos apaixonamos, sobretudo, por aquilo que nos é familiar. E familiar nem sempre significa saudável.

O amor que conhecemos na infância molda silenciosamente aquilo que passamos a reconhecer como amor na vida adulta. Se crescemos sentindo que precisávamos merecer atenção, tolerar distância, lidar com instabilidade ou adivinhar o humor das pessoas ao redor, há uma chance desconfortável de que passemos a associar amor exatamente a essas sensações.

Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas emocionalmente disponíveis podem parecer “boas demais”, estranhas ou até entediantes. E porque outras, mais difíceis e imprevisíveis, despertam uma intensidade quase irresistível.

Nem sempre buscamos felicidade. Muitas vezes, buscamos repetição.

Há algo profundamente humano nisso. Nosso cérebro tenta retornar ao conhecido, mesmo quando o conhecido nos machuca. Recriamos dinâmicas antigas não porque sejam boas, mas porque parecem compreensíveis. Sofrimentos familiares podem parecer menos assustadores do que afetos novos.

Talvez por isso certas qualidades provoquem rejeição imediata sem motivo aparente. Alguém muito gentil pode parecer sufocante. Alguém confiável demais pode gerar desconfiança. Uma pessoa calma pode parecer sem graça.

Enquanto isso, um certo grau de distância emocional, ambiguidade ou frieza pode acabar sendo confundido com química.

A parte mais difícil é perceber que nossas escolhas amorosas nem sempre nascem de liberdade plena. Muitas delas são respostas antigas, construídas quando ainda éramos jovens demais para entender o que estávamos vivendo.

Por isso, conhecer nossas aversões pode ser tão revelador quanto conhecer nossos desejos.

Vale perguntar:

— O que exatamente me incomoda em pessoas emocionalmente saudáveis?
— O que considero “sem graça”, mas talvez seja apenas estabilidade?
— Quais comportamentos problemáticos eu aprendi a interpretar como amor?

Essas perguntas não existem para nos culpar. Existem para nos tornar menos inconscientes.

Porque amadurecer afetivamente talvez tenha menos a ver com encontrar “a pessoa perfeita” e mais com perceber os padrões invisíveis que dirigem nossas atrações.

O amor adulto começa a mudar quando entendemos que química não é necessariamente compatibilidade. E que intensidade, muitas vezes, pode ser apenas familiaridade emocional disfarçada.

Talvez uma das tarefas mais difíceis da vida amorosa seja justamente esta: aprender, aos poucos, a nos sentirmos seguros diante de pessoas que não reproduzem nossos velhos sofrimentos.

E aceitar que um amor mais saudável pode parecer estranho antes de finalmente parecer verdadeiro.

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By The School of Life

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