Sabemos que para sermos mais competentes em entender e transitar no mundo, é aconselhável nos mantermos atualizados com as notícias. Cercamos a Terra com satélites e criamos redes de informação que nos reportam acontecimentos com uma urgência gritante. Para informações ainda mais rápidas e constantes, inventamos pequenos aparelhos para levar conosco a todos os lugares, a todo momento. As telas que nos cercam nos dão um assento de primeira fila para assistir o fluxo do que acontece no mundo.
Como resultado, vemos muito mais. Ao mesmo tempo, estranhamente, vemos muito menos. A presença constante de notícias de fora dificulta nossa capacidade de captar uma outra fonte de notícias igualmente importante, embora muito menos valorizada, a de dentro. Nós não somos, por natureza, bem-preparados para enxergar o que há dentro de nós mesmos. Nossa consciência muitas vezes rejeita o que acontece internamente para dar atenção ao nosso entorno. Muitos sentimentos, pensamentos e ideias exigem coragem para serem confrontados. Eles ameaçam nos deixar desconfortavelmente ansiosos, empolgados ou entristecidos se nos aprofundarmos mais neles. Mas devemos saber também que lidaremos muito melhor com o mundo que nos rodeia se olharmos para o nosso mundo interno.
No entanto, usamos as notícias de fora para silenciar as notícias de dentro. Temos a uma ótima desculpa para não passar muito tempo vagando dentro de nossas próprias mentes – devemos saber o que está acontecendo nas ruas, nas cidades, nos governos, e nas empresas. Não é que as notícias do mundo externo não tenham importância. Mas o drama não nos salvará, e não se importa nem um pouco com nosso desenvolvimento ou nossas reais responsabilidades.