Devemos aceitar sem rancor que simplesmente perdemos o controle, bem como nunca o temos de fato. As ameaças à nossa razoabilidade podem incluir: um ex companheiro pelo qual sofremos por anos da nossa vida, mas para quem desejamos ligar tarde da noite para implorar por uma segunda chance, ou uma criança que nos irrita insuportavelmente, mas com quem não deveríamos discutir do jeito que gostaríamos, um colega de escritório inconveniente que devemos fazer o possível para ignorar, um biscoito que não conseguimos parar de comer quando começamos, ou um feed de rede social que não conseguimos parar de recarregar.
Cada um de nós tem sua própria versão das sereias. Quando tomarmos consciência disso, podemos, sem perder nossa dignidade, reunir os nossos “marinheiros”, com quem navegamos as nossas vidas, e ceder-lhes o direito temporário de tirar o leme de nossas mãos. Devemos entregar nossos telefones aos nossos amigos, dizer-lhes para não nos deixarem comprar aquele doce, e pedir-lhes que monitorem nossas horas de uso de internet.
Nada disso é inspirador em si, mas no final é ainda menos inspirador fingir que sempre podemos agir racionalmente, quando na realidade, nossos momentos verdadeiramente racionais são a exceção.
Quem é genuinamente maduro sabe quando a maturidade não é mais suficiente. Precisamos ser suficientemente sensatos e ter muito autoconhecimento, para dizer àqueles que cuidam de nós: ‘Sou suficientemente forte para saber quão fraco sou; me proteja do que eu quero; me faça a gentileza de me amarrar ao mastro do meu próprio navio…’