A Importância de nos Expressarmos com Clareza

Para sermos bons comunicadores, precisamos estar equipados com muita inteligência emocional. Pode ser que essa afirmação pareça absurda, quando dita sem rodeios, mas nem sempre sabemos como precisamos falar com aquelas pessoas que adoraríamos que nos entendessem.

Queremos que nossas intenções sejam percebidas, nossos humores sejam respeitados e que nossos estados mentais sejam interpretados... Isso sem que a gente tenha que falar uma palavra a respeito. Aliás, muitas vezes, nem suspeitamos que exista uma necessidade urgente de fazer isso... Queremos ser adivinhados, intuídos, lidos por uma espécie de mágica. Desejamos que as pessoas saibam coisas que não nos demos ao trabalho de contar a elas. Essa dinâmica, em alguns momentos, nos levam a acreditar de maneira equivocada que elas sabem muito bem o que queremos e pensamos, mas insistem em nos frustrar de propósito para nos humilhar. No nosso entender, as únicas explicações para que elas não tenham nos adivinhado são grosseria, falta de amor ou descaso extremo. 

Não pensamos e agimos assim porque somos ruins. Somos insistentemente mudos porque fomos, por um período curto e profundo, crianças pequenas. Em certa época da vida, nos encontrávamos na posição estranha de não conseguir proferir uma palavra. Os outros tinham de adivinhar o que se passava pela nossa cabeça. O mais importante: por um tempo, eles estavam mais ou menos certos. Ouviram nosso choro, viram nossos rostos bravos, tinham uma chance de adivinhar e acertavam. Esquentavam um pouco de leite e nos pegavam no colo, andando conosco pela sala de estar... Com isso, nos sentíamos calmos e saciados. Os adultos que cuidavam de nós não eram gênios do entendimento interpessoal. Eles apenas sabiam que, basicamente, as coisas de que precisávamos naquela época eram bem simples e limitadas: comida, bebida, roupas limpas, sono, higiene e segurança. 

Hoje, já como adultos e sem que a gente perceba, continuamos esperando que a dinâmica que acontecia com sucesso na nossa infância possa continuar acontecendo, embora nossas necessidades tenham ficado infinitamente mais complexas. Não precisamos só de leite e colo: precisamos que as pessoas entendam como será nossa agenda na próxima semana, onde as toalhas precisam ficar, como o documento deve ser devolvido ao escritório do cliente, quem deve ficar com o controle remoto e nossos sentimentos sobre as situações e pessoas. 

Além disso, desejamos que as pessoas saibam tudo isso não com base em instruções cuidadosa e pacientemente explicadas, mas sim imediatamente, do nada, com base na própria inteligência e na sua genuína preocupação conosco. Se não nos entenderem, podemos ter um motivo para gritar, demiti-las ou acusá-las de preguiça ou falta de afeto. Somos péssimos comunicadores porque nos recusamos a aceitar a dignidade, a necessidade e a complexidade do ato de comunicar. Vagamos pelo mundo com os problemas de adultos sofisticados que insistem em acreditar que somos tão fáceis de entender quanto as crianças. 

 

Texto do The Book of Life

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