Como Ter Conversas Sinceras

Tendemos a pensar que é relativamente fácil fazer com que as pessoas entendam o que queremos ou como nos sentimos. Basta abrir a boca e falar, certo? Mas nem sempre o caminho é tão tranquilo assim... Em geral, encontramos alguns obstáculos para expressar as nossas intenções e emoções de maneira clara e honesta. Isso é um pouco do que acontece quando tentamos substituir uma comunicação mais direta por mensagens nas entrelinhas ou um curto WhatsApp. No final, nos sentimos frustrados ao culparmos as pessoas por não lerem as nossas mentes.

Mesmo diante desse desapontamento, não procuramos uma forma gentil de extravasar como estamos nos sentindo. Preferimos continuar agradando o outro enquanto, internamente, cultivamos um ressentimento. Fingimos que não ligamos, nos fechamos e evitamos conversas difíceis... Com o passar do tempo, nos tornamos distantes e duros com nós e com os outros, em vez de nos permitirmos ser vulneráveis. Dizemos que está tudo bem mesmo quando não está. Mas, como somos humanos, vez ou outra explodimos em vez de argumentar calmamente. Essa erupção de ressentimentos, quase sempre, é resultado de um conjunto de pensamentos e sentimentos enterrados antes de serem trazidos à luz... Resmungamos amargamente. Nem tentamos mais nos explicar...

Se você parar para reparar, verá que tem tanto assunto que deveríamos abordar... O quão magoados ficamos com certas coisas que amigos ou familiares fazem, muitas vezes sem querer? O quanto queremos dormir abraçadinhos, mas não queremos parecer fracos por pedir? O quanto queremos um aumento, uma promoção ou uma mudança para uma função que faríamos melhor? Por que disfarçamos quando estamos interessados em outra pessoa? Somos relutantes para ter boas conversas e nos comunicar diretamente. Isso, sem percebermos, prejudica muito os nossos relacionamentos no dia a dia.

Quase sem notar, podemos estar apegados a algum mau hábito que foi construído para lidar com problemas que só faziam sentido no passado... Agora, mais maduros, poderíamos começar a correr o risco de sermos mais ousados. Somos mais fortes hoje. As pessoas com as quais encontramos ou que estão ao nosso redor também são capazes de resistir a muito mais coisas do que imaginamos. É possível que muitos estejam abertos para conversas reveladoras, para ouvirem perguntas mais íntimas e, talvez, dizerem o que nunca disseram antes.

A maior parte das pessoas pode sim absorver o que você tem a dizer. Ponha-se no lugar do outro, mesmo que imaginariamente. As pessoas precisam saber como você se sente para te entender melhor e vice-versa. Essa é uma dinâmica justa para todos... Por isso devemos praticar exercícios mentais para fortalecer nossa resiliência com relação a comunicação. Internalizar a ideia de que "o que sentimos nem sempre é ruim ou estranho e merece ser ouvido".

Chega de perambular pelo mundo de ombros caídos e olhares vazios e cansados. Não temos motivos para sentir vergonha. Podemos, sim, correr o risco de dizer o que sentimos de verdade para aqueles que merecem ouvir. A nossa capacidade de ter uma conversa boa, honesta e gentil é a base do que nos torna humanos. É uma poderosa ferramenta que nos permite compartilhar quem somos e descobrir quem os outros são.

Nossas vidas já estão cheias de conversas superficiais. E, apesar de nos comunicamos mais e mais com os outros - presencialmente ou com a ajuda da tecnologia -, qual foi a última vez que uma conversa transformou a sua vida ou o seu modo de pensar? Precisamos cada vez mais de conversas enriquecedoras, inspiradoras e inesquecíveis, sem medo de parecer vulnerável.

Texto da The School of Life

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