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Por que você deveria fazer um diário

Por que você deveria fazer um diário

O que, em um mundo ideal, deveria definir alguém como escritor não é o fato de publicar livros ou dar palestras em festivais literários ou usar roupas pretas; é pertencer a um grupo distinto de pessoas que, sempre que estão confusas ou angustiadas, ganham o maior alívio possível em colocar as coisas no papel. “Escritores” no verdadeiro sentido são aqueles que escrevem – em vez de beber, fazer exercício ou conversar – para sair da dor.
O ato de escrever, especialmente em um diário, está cheio de benefícios terapêuticos. Algumas ideias ameaçam tão profundamente o status quo que, mesmo se nos oferecerem benefícios no final das contas, a mente impiedosamente as “esquecerá” em nome de uma vida tranquila, mas nossos diários são um fórum no qual podemos levantar e nos estimular a responder às grandes perguntas que estão por trás do comando de nossas vidas: O que realmente quero? Devo ir embora? O que sinto por ele?
Podemos não saber ao certo o que queremos dizer até começarmos a escrever; isso leva a escrever ainda mais. A primeira frase deixa a segunda mais clara. Depois de um parágrafo curto que parece ter saído do nada, começamos a saber aonde isso pode ir. Aprendemos o que pensamos no processo de sermos forçados a expressar ideias fora de nossas mentes pantanosas. A página se torna uma guardiã de nosso fugidio “eu” autêntico.
Aqui, podemos fazer votos e tentar segui-los: Chega de humilhação! Acabou o masoquismo! A vida comum pode parecer não ter lugar para fazer balanços e momentos de grande inquisição, mas a página os exige e recompensa: O que estou tentando fazer? Quem sou? O que tem significado para mim? Nunca poderíamos nos safar disso à mesa de jantar, mesmo entre pessoas que dizem nos amar – mas, aqui, eles fazem sentido.

Podemos olhar para o que escrevemos e entender. A página é uma área excelente para processamento. Podemos extrair a dor de sua crueza. Podemos nos acostumar com desastres e estabilizar alegrias. Podemos transformar o pânico em listas. Cinco formas de sobreviver a isto. Seis coisas que direi a ele. Quatro motivos para não entrar em desespero. Não precisaremos ficar tão nervosos no mundo lá fora depois de termos contado tudo isso ao caderno.
A página se torna um laboratório no qual testamos o que pode chocar e surpreender. Não precisamos fazer tudo o que falamos. Estamos dando uma chance e vendo como nos sentimos. É o primeiro rascunho de uma carta a nós mesmos.
Olhar para o que já escrevemos deve ser embaraçoso, se o que queremos dizer com isso é hiperbólico, desconjuntado, incerto e maluco. Se não ficarmos espantados com muito do que dizemos a nós mesmos, não estamos nem começando a ser verdadeiros – e, portanto, não aprenderemos.
Se, na vida comum, fazemos um pouco mais de sentido do que poderíamos, se formos um pouco mais calmos do que éramos, talvez seja porque, em algum lugar dentro de uma gaveta, há páginas de textos escritos a mão que nos ajudaram a entender nossa dor, explorar com segurança nossas fantasias e nos guiar para um futuro mais suportável.
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By The School of Life

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