Como Narrar Sua História de Vida

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Poucas pessoas se dão ao trabalho de escrever suas autobiografias. Em geral, tendemos a pensar que esses registros devem ser realizados apenas por celebridades ou pessoas muito idosas. Mas, no fundo, essa é uma atividade universal! Ainda que não publiquemos a nossa história, a escrevemos em nossa mente mesmo assim. A cada dia, escrevemos um capítulo a respeito de quem somos, para onde vamos e por que as coisas aconteceram do jeito que aconteceram. 

Muitos de nós são narradores impressionantemente duros dessas histórias de vida. De uma maneira quase cruel, dizemos a nós mesmos que fomos idiotas desde o começo ou que arruinamos tudo e cometemos um erro atrás do outro. É assim que narramos alguns acontecimentos do dia a dia, especialmente tarde da noite, quando nosso estoque de otimismo já acabou e o pessimismo vem nos assombrar.

Acreditamos que não há nada de útil em nossos métodos particulares de autoflagelo na narração. No nosso entender, sempre pode haver formas muito mais gentis, amorosas e equilibradas de contar um mesmo fato, sem que ele deixe de ser verdade. Você poderia apresentar sua história de vida a Dostoievsky ou Proust e desse encontro com uma versão muito mais suportável, comovente, terna e nobre. 

Escrever nossos sentimentos é a chave dessa mudança de postura. Por meio da escrita, reconhecemos padrões que devem ser observados e, talvez, superados. Podemos traçar uma estratégia – uma tarefa muito negligenciada. Podemos nos perguntar por que fazemos as escolhas que fazemos, questionar narrativas com problemas e criar outras novas. Podemos considerar ideias antes de nos comprometermos com elas e reforçar bons pensamentos que já conhecemos. 

Todo dia, somos induzidos a narrar um pouco de nossa história de vida a nós mesmos: explicamos por que houve dor, por que nos esquecemos de aproveitar uma chance e por que estamos em uma situação infeliz. Escrever é, essencialmente, a tarefa de descobrir e desenvolver o que pensamos. Dificilmente existe uma meta pessoal mais importante. 

 

Texto: The School of Life

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