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O que aciona nossos gatilhos

O que aciona nossos gatilhos

O fenômeno de ter seus gatilhos “acionados” está relacionado a um conceito tremendamente importante na vida psicológica que exige nosso respeito, compaixão e atenção. Ter um gatilho acionado é, em sua forma mais básica, reagir com medo e raiva intensos a uma situação no presente que, aos olhos dos outros pode parecer muito fora de contexto. Em um momento estamos calmos e, no seguinte, somos catapultados ao desespero; há meros instantes, o futuro parecia esperançoso, mas agora reserva apenas dias desastrosos.
A maioria das pessoas que sofre desses episódios adoraria ter mais calma e esperança. Pode ser importante saber como sentir medo ou raiva quando as situações realmente exigem isso, mas (como a pessoa tipicamente se sente após um episódio de gatilho) também é profundamente contraproducente e cansativo sentir emoções poderosas que não são causadas pelo que está diante de nós e que não ajudam nem um pouco em nossos interesses.
A forma de não ter seu gatilho descontroladamente acionado é entender como o mecanismo funciona. A mente é acionada quando acredita que reconhece no mundo ao seu redor uma sensação que parece, de memória, ser altamente danosa e perigosa. Nossos gatilhos são um guia secreto para nossa história: eles nos contam sobre coisas das quais já tivemos muito medo. O elemento ativador é como uma peça que se encaixará precisamente em um quebra-cabeça do passado. Ele aciona agora o que naquela época nos devastou.
A tragédia do gatilho é que ele não percebe as diferenças entre o ontem e o hoje; entre o horror que sofremos há muito tempo e a relativa inocência do momento atual. Embora coisas ruins também aconteçam nos dias de hoje, o gatilho também não reconhece que não somos mais crianças e, portanto, podemos reagir a ameaças que nos são feitas com muito mais criatividade, força e calma do que tínhamos aos quatro ou dez anos de idade. Se as coisas ficarem tão ruins quanto já foram, temos muito mais opções… e, portanto, muitos motivos para nos sentirmos menos agitados e vulneráveis.

Ter nosso gatilho acionado é perder nossos poderes de diferenciação. No calor do momento, não conseguimos mais diferenciar entre A e B, não conseguimos diferenciar entre parecer um pouco cansados e parecer fundamentalmente inaceitáveis, entre algo que fizeram e os mandou para a prisão e algo que fizemos e nunca será nem percebido. Nossa história nos preparou tanto para cenários espantosos que não temos capacidade de deixar de encontrá-los novamente por toda parte – especialmente quando estamos um pouco tristes ou cansados.
A cura para o gatilho é o amor; o amor entendido como um processo de abraçar pacientemente alguém e, como um pai gentil e acolhedor, ajudar a diferenciar entre branco e preto, terror e calma, mal e bem. A cura também está em aprender a trabalhar retroativamente de nossos gatilhos atuais à dinâmica que um dia os criou, em desenvolver calma e confiança. Em vez de nos preocuparmos ainda mais com o futuro, deveríamos fazer a nós mesmos uma pergunta simples: O que meu medo do que acontecerá me diz sobre o que aconteceu? Que cenário do meu passado está contido em meu alarme no futuro?

Superar nossos gatilhos é conseguir navegar no presente com toda a confiança e curiosidade empolgada que deveríamos ter tido desde o começo, e a maturidade pode ser definida como: saber o que aciona nossos gatilhos e por que – e um compromisso em abafar nossas primeiras reações em nome de uma exploração paciente e do entendimento do passado.

 

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By The School of Life

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