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A Arte de Viver Bem e a técnica do Kintsugi

A Arte de Viver Bem e a técnica do Kintsugi

 mailchimp Kintsugi

Kin = de ouro
Tsugi = Emenda

Significa, literalmente, ‘emendar com ouro’. Na estética Zen, os pedaços de um pote acidentalmente quebrado devem ser cuidadosamente recolhidos, reorganizados e colados com um esmalte infundido com um pó de ouro exuberante. Não se deve tentar disfarçar os danos, o objetivo é tornar as rachaduras belas e fortes. As preciosas veias de ouro estão ali para enfatizar que as rachaduras têm um mérito próprio e filosoficamente rico.

Dizem que as origens do Kintsugi remontam ao período Muromachi, quando o Xogum do Japão, Ashikaga Yoshimitsu (1358-1408) quebrou sua xícara de chá favorita e, perturbado, mandou-a para ser consertada na China. Mas, quando ela foi devolvida, ele ficou horrorizado com os pedaços feios de metal que foram usados para juntar as partes quebradas, e encarregou seus artesãos de encontrar uma solução mais apropriada. O que eles criaram foi um método que não disfarça o dano, mas que, na verdade, faz algo artístico a partir dele.

Kintsugi faz parte dos ideais wabi sabi, do Zen, que valorizam coisas simples, antigas e despretensiosas – especialmente se tiverem uma aparência rústica ou afetada pelo tempo. Há uma história sobre um dos grandes proponentes do wabi sabi, Sen no Rikyu (1522-99). Numa jornada ao sul do Japão, ele foi convidado para jantar com um anfitrião que achou que ele ficaria impressionado com um bule caro e elaborado que tinha comprado na China. Mas Rikyu nem percebeu esse objeto; em vez disso, ele passou o jantar admirando e conversando sobre um galho que estava balançando ao vento do lado de fora. Desesperado com essa falta de interesse, o anfitrião quebrou o bule no chão e foi embora para o seu quarto assim que Rikyu partiu. Então os outros convidados juntaram os pedaços do bule e colaram usando a técnica do kintsugi. Quando Rikyu fez outra visita, voltou-se para o bule colado e exclamou, com um sorriso: ‘Agora ficou magnífico’.

Numa era que venera a juventude, a perfeição e a novidade, a arte do kintsugi mantém uma sabedoria peculiar – aplicável tanto a uma xícara quebrada quanto às nossas vidas. O cuidado e o amor gastos nos vasos quebrados nos dá a confiança para respeitar aquilo que está danificado, vulnerável e imperfeito – começando com a gente e com aqueles ao nosso redor.

Texto the School of Life

By The School of Life

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