Mantendo a conexão entre equipes divididas no "home" e no "office"

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No século 19, um ambiente específico de trabalho se transformou em um assunto tremendamente popular para os pintores: o estúdio do artista. Um fator em especial atiçou a imaginação coletiva: não havia mais ninguém no estúdio além dele. 

Em uma época na qual cada vez mais gente começava a se juntar em escritórios cada vez maiores e experimentava, pela primeira vez, todas as concessões e restrições do convívio, surgiu uma fome por imagens de uma utopia alternativa, um local de trabalho livre, de forma alentadora, da presença condenável do colega. 

Para aqueles que passaram o último ano trabalhando de casa, este anseio pela vida independente do artista pode parecer estranho ou, talvez, ainda mais intensamente desejável. Algumas pessoas gostaram da sensação de liberdade e autonomia que o home office proporcionou, adotaram a posição agradavelmente distante do artista em seu estúdio, transformando quartos desocupados em espaços privados de trabalho e contemplação, livres de interrupções indesejadas. 

Outras se sentem estranhamente desconectadas da realidade cotidiana do que o trabalho um dia significou para elas, sentem falta do burburinho, da energia e da sensação coletiva de propósito que um escritório oferece, e também de um espaço mais delimitado fora de casa, confortavelmente longe de compromissos inesperados de cuidados com filhos ou das distrações irritantes de parceiros ruidosos. 

Com membros da equipe potencialmente pendendo para lados diferentes, equilibrar as preferências de todos pode representar um grande desafio para os líderes. Se sua equipe está dividida entre continuar trabalhando de casa e voltar para o escritório, há uma preocupação de que o ambiente se torne dividido. Uma sensação de união e motivação pode ser a principal perda deste novo e inesperado arranjo. 

Na The School of Life, acreditamos que é importante ver o potencial de mudança positiva nesta época de incertezas. Este é um bom momento para que líderes tenham conversas para as quais nem sempre encontramos tempo, uma chance de definir quais são as partes boas, ou não tão boas, do trabalho remoto e, então, criar uma estrutura totalmente nova para sua empresa, na qual se aprende com a experiência e se constrói com base nela. 

Talvez algumas mudanças em nossos padrões de trabalho, a maior flexibilidade imposta pela pandemia, fossem inevitáveis; uma consequência do fato de que as ferramentas digitais dominantes estão reescrevendo convenções do local de trabalho.

Ainda assim, perdura uma sensação de que algo pode ter se perdido como resultado deste passo para um futuro mediado virtualmente. É possível questionar se perdemos de vista, ao fazer chamadas pelo Zoom e enviar mensagens instantâneas, o quanto a sensação de estar na presença física dos colegas pode ser boa, apesar das muitas frustrações e concessões que essa proximidade exige. Para os líderes, é especialmente difícil fugir do fato de que é muito mais fácil dar apoio pessoalmente. 

Só que esta pode ser uma situação complicada. É importante reconhecer que um ambiente misto – com alguns em casa e outros no escritório – nem sempre será ideal. Você precisa lidar com as pessoas de forma diferente dependendo de suas necessidades diferentes e é importante ter a mente aberta.  É um cenário que pede muita inteligência emocional para enfrentar o dia a dia. 

A realidade, dolorosa e reconfortante em sua inevitabilidade, é que é impossível evitar as agonias do escritório. A solução mais confiável é nos equiparmos com as habilidades emocionais que ajudam todos a enfrentar esses desafios e até prever seu acontecimento. 

 

Texto: The School of Life

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