Cozinha de Memórias

O preparo de um bolo não é só a mistura do ovo, da farinha e do leite, mas narra a trajetória de uma família, suas tradições, seus caminhos. O cheiro que sai da cozinha não nos avisa apenas que haverá carne ensopada para o almoço, mas nos remete as tardes passadas na casa da avó. O barulho agudo da panela de pressão não alerta só que o feijão está pronto. Ele nos lembra do tempero especial da mãe, da tia, da avó e todas as lembranças construídas e conversas amarradas ao longo das infindáveis refeições que habitam nossas memórias mais queridas.

A aula de cozinha de memórias percorre todo esse universo afetivo, usando como fio condutor os alimentos, os utensílios e as trocas ao redor da mesa. A comida conta muito sobre a nossa própria história (a nossa trajetória particular e a da comunidade a qual pertencemos) e também nos ajuda a olhar e a refletir sobre a vida de um jeito especial.

Para isso, ao longo de três horas, vamos falar sobre os cadernos de receitas de família, suas características, as histórias que eles nos revelam. Por que muitos deles trazem receitas retiradas das latinhas (de leite condensado, creme de leite etc)? E por que trazem o nome de algum conhecido ao lado da receita? Como as quantidades e os tipos de modos de fazer foram sendo alterados ao longo das décadas? E o que isso diz sobre nós, sobre a maneira como vivemos e os caminhos que escolhemos? Vamos, ainda, mergulhar nas lembranças de cada um, nos cheiros que saem da cozinha da nossa memória e nos sabores que conversam com a vida atual. Ao final, não teremos um bolo ou pão, mas um texto carregado de nós mesmos e das lembranças ligadas a cozinha e à vida.

Porque a comida e a escrita são parceiras. Ambas percorrem caminhos estreitos e profundos dentro da gente. E nos resgatam sempre. Mas como começar a escrever algo tão pessoal e carregado da gente mesmo a partir da receita de geleia de jabuticaba, da torta de maçã, de uma colher de pau ou de uma panela de barro? É isso o que você vai descobrir.

Uma oficina para emocionar, tocar e ajudar os participantes a refletirem sobre o papel do alimento e a maneira como estamos vivendo a rotina – com mais ou menos intensidade.

O que será abordado

- Conceitos básicos da escrita empática, aquela que toca, afeta, conversa verdadeiramente com o outro.
- O papel dos cadernos de receita – e como eles são um reflexo da evolução histórica, social e econômica da nossa sociedade (e da nossa história particular)
- O texto em camadas ou como mergulhar de maneira profunda em um texto e ir além da superficialidade
- Como as palavras e a comida se encontram
- O texto a partir de um ingrediente, um prato
- A comida como um reflexo da nossa vida, nossas relações, nossa história


SOBRE COOKING AS THERAPY

Cooking as Therapy é um conceito criado pela The School of Life, em que convidamos mestres na arte de cozinhar, muito além da cozinha e dos ingredientes, para trazerem o seu próprio material em sintonia com o nosso conceito.


Cozinhar parece ser uma tarefa temerosa, mas, quando realizada atentamente, talvez seja uma das coisas mais terapêuticas que podemos fazer diariamente. Cozinhamos para ter muito mais do que combustível físico; esse ato sempre tem humor, transmite uma mensagem, até mesmo uma filosofia. Fazemos curry picante quando temos um dia monótono no trabalho. Lembramos de simplificar ao grelhar um peixe, temperado apenas com limão. Usamos sopas para nos curar quando estamos doentes (de corpo e alma). Pratos especiais nos conectam a antigas lembranças e a nossos ‘eus’ anteriores. Preparar a refeição é algo meditativo. Ao picar legumes, devemos nos focar em uma só coisa. A casa fica cheia de calor, há o cheiro do forno, o som do caldo borbulhando. Entendemos o quanto coisas pequenas e baratas, como maçãs frescas ou manteiga derretendo, contribuem para nossa felicidade.


Na maior parte das vezes, normalmente cozinhamos para os outros e esse ato é uma das expressões mais simples, mas mais profundas, de amor. Ele nos lembra de quem realmente é importante, de quem deveríamos cuidar mais. Dessa forma, cozinhar nos oferece algo profundo: um ritual do qual esquecemos que precisamos agora que a religião declinou. O alimento regularmente nos reúne com as pessoas que importam, marca as mudanças de estações, nos ajuda a conversar e compartilhar emoções. Precisamos encontrar formas de substituir as refeições religiosamente coreografadas (pão e vinho cristãos, pernil cordeiro e raiz forte judaicos, chá budista) por novos alimentos rituais, para nos ajudar a organizar e alimentar regularmente nossas vidas, mentes e relações.


Não deveria ser apenas mais uma tarefa antes de ir dormir. Idealmente, nosso tempo na cozinha deve nos ajudar a refletir sobre o dia, abrirmos uns com os outros e nos reconectar com nós mesmos. Cozinhar não deveria apenas dar sustentação ao nosso corpo, mas – como boa arte ou música – também alimentar nossa alma.


LÍDER DO CURSO

Ana Holanda é jornalista e trabalha há 22 anos no mercado editorial. Atualmente é editora-chefe da revista Vida Simples. É criadora da página online Minha Mãe Fazia (facebook.com/minhamaefazia) sobre memórias afetivas e comidinhas do dia a dia (mais de 20 mil seguidores, com crescimento orgânico). Esse ano, o projeto virou livro: Minha Mãe Fazia – crônicas e receitas saborosas e cheias de afeto (Bicicleta Amarela/Rocco).

Palestrante do TEDx São Paulo – agosto/2017

Palestrante do Festival Path – 2015 e 2017

 

PROGRAMAÇÃO

19.30             Boas vindas da The School of Life
19.45             Início da aula
21.00             Intervalo (pode variar)
22.30            Encerramento

 

LOCAL AULA

The School of Life 
Rua Medeiros de Albuquerque 60
Vila Madalena, SP

Compre ingresssos para
Cozinha de Memórias

220,00

O que:
Aula Especial