Repensando a Produtividade

Nos últimos séculos, o mundo passou pelo maior aumento de produtividade na História da humanidade. Do ano 1 d.C. até 1820, os padrões de vida no Ocidente duplicaram de forma lenta, aumentando de um PIB anual per capita de US$ 600 para US$ 1.200. Então, nos 200 anos seguintes, esse valor explodiu e aumentou mais de 20 vezes, chegando a US$ 26.000.

 

Não apenas nos tornamos mais produtivos, mas também adquirimos uma noção de como deve ser a aparência da produtividade: estar em um escritório, cercados de muita gente, participando de reuniões, viajando bastante e respondendo a muitas, muitas mensagens.

 

No entanto, podemos correr o risco de ignorar o que o tipo mais frutífero de trabalho realmente exige. Embora o mundo decididamente avance nas ideias, através da clareza de pensamento quanto a questões de primeira ordem, provavelmente alguns de nossos momentos terão pouco em comum com os cenários visualizados pela religião moderna do trabalho árduo. Eles serão momentos ociosos tranquilos, voltados para fora, nos quais enfim teremos a chance de romper com presunções batidas e ideias recebidas, em que algo vital e autêntico passará pelas nossas mentes e quando teremos a coragem de levar a sério uma intuição ignorada ou dar o benefício da dúvida a uma opinião contrária.

 

Paradoxalmente, pode ser difícil ter esse tipo de raciocínio nos locais esperados. Lugares familiares originam pensamentos familiares.  Pensar também é difícil quando essa é a única coisa que devemos estar fazendo. Uma folha de papel em branco em uma manhã tranquila de segunda-feira pode fazer uma mente entrar em pânico e se calar. O melhor tipo de pensamento surge quando não temos uma pauta definida, nas brechas do dia, quando estamos simplesmente caminhando pelo parque ou viajando de trem, tomando banho de banheira ou olhando para o nada. É aí que nossos melhores, mas também mais furtivos, pensamentos podem ser extraídos do consciente e notados pela razão antes de terem uma chance de fugir novamente.

 

Se tivéssemos a força de discordar das condições agressivas do trabalho moderno, poderíamos reconhecer que uma sala tranquila no meio da tarde, quando não temos nada urgente a fazer até o jantar, ninguém para ver e nenhuma mensagem para responder, poderia ser um dos lugares mais produtivos para se estar. Reconheceríamos o valor profundo de passar horas olhando pela janela. Devanear é uma rebelião estratégica contra as demandas excessivas de pressões imediatas (mas essencialmente insignificantes) – a favor da elaboração lenta de planos mais substanciais.

 

Quando estamos ocupados com rotinas e administração, estamos focados nos elementos que predominam em nossa mente: estamos executando planos em vez de refletir sobre seu valor, propósito essencial e focar no que realmente importa.

 

 

Nossas vidas poderiam ser muito mais equilibradas se aprendêssemos a realocar o prestígio. Deveríamos pensar que há coragem não apenas em viajar pelo mundo, mas também em ousar ficar em casa com nossos pensamentos, arriscando encontros com algumas ideias que levam a ansiedade ou melancolia, mas também são altamente necessárias. O trabalhador heroico não é necessariamente aquele no lounge executivo do aeroporto internacional; pode ser a pessoa que olha inexpressivamente pela janela e às vezes escreve uma ou duas ideias em um bloco de papel. Esse pode ser o trabalho árduo que realmente honre nosso potencial.

 

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