Quem é Você?

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Muitos de nós passamos pelo mundo conquistando muitas coisas e conseguindo satisfação em alguns momentos, mas uma ferida fundamental nos impede de atingir todo o nosso potencial: não sabemos bem quem somos.


A questão, claro, não é que não lembramos o básico de nossa biografia, mas não temos certeza de duas coisas em particular: não temos uma noção estável de nosso valor nem uma posição firme sobre nossos valores ou julgamentos.


Sem saber quem somos, tendemos a ter uma dificuldade especial de lidar com a crítica ou a adulação. Se os outros decidirem que somos menosprezíveis ou ruins, não haverá nada dentro de nós evitando que acreditemos completamente nesse veredito, por mais errado, extremo ou maldoso que seja. Ficaremos indefesos diante do tribunal da opinião pública. Sempre perguntaremos aos outros o que merecemos antes de buscar uma resposta dentro de nós. Sem um veredito independente, também sentimos uma fome anormal por elogios externos: os aplausos de um público importarão mais do que seria aconselhável. Viraremos presas e adotaremos qualquer ideia ou atividade que a plateia por acaso amar. Riremos de piadas que não são engraçadas, aceitaremos apaticamente conceitos questionáveis que estão na moda e ignoraremos nossos talentos mais reais em prol de vitórias populares fáceis. Acompanharemos a opinião pública  constantemente checando os caprichos do mundo em vez de consultar um barômetro interno para saber o que deveríamos querer, sentir e valorizar.


Precisamos ser gentis com nós mesmos. Ninguém nasce com uma habilidade independente de saber quem é. Aprendemos a ter uma identidade porque, se formos abençoados, em nossos primeiros anos outra pessoa se dá o trabalho de nos estudar com justiça, atenção e gentileza tremendas e nos mostra a nós mesmos de uma maneira que faz sentido e que, mais tarde, conseguimos emular. Isso nos dá o início de um verdadeiro retrato de nossa identidade, que assumimos e enriquecemos ao longo dos anos e usamos como defesa contra os vereditos distorcidos de pessoas apressadas ou mal intencionadas. Saber quem você é de verdade é o legado de ter sido conhecido adequadamente por outra pessoa no começo.


Essa construção de identidade tende a se desenrolar em pequenos passos aparentemente inócuos que salvam a vida. “Deve ter doído mesmo”, um pai diria em resposta a um machucado, validando, assim, os sentimentos do filho pequeno, ou: “tudo bem não se sentir feliz em seu aniversário”, poderia dizer em outro momento, sustentando delicadamente a reação menos típica da criança a alguns eventos.


Idealmente, a criança não é apenas conhecida, mas também interpretada como agradável. Um bom pai oferece interpretações generosas; está do lado do filho e sempre pronto a dar a melhor visão possível sobre momentos de mau humor ou falha – o que forma a base sobre a qual uma autoestima resiliente poderá emergir.


Esse é o ideal, mas, claro, pode dar muito errado – e frequentemente dá. Um pai pode oferecer um espelhamento fora de sincronia com a realidade da criança. “Olha só quem é a criança mais feliz”, um pai pode insistir quando o oposto é verdadeiro, prejudicando a capacidade do filho de se conectar com as próprias emoções, ou o pai pode apenas dar ao filho uma forma muito punitiva de interpretar a si mesmo, sugerindo repetidamente que é mal intencionado e ruim. Esse pai também pode simplesmente não demonstrar muito interesse no filho, prestando atenção a outra coisa, e a criança cresce com a sensação de que não é digna de carinho e, também – porque não foi adequadamente vista e espelhada –, de que não exatamente existe. Uma sensação de irrealidade é a consequência direta da negligência emocional.

Perceber que não temos uma identidade estável é algo sério, mas, com o vento a favor, poderemos começar a corrigir o problema a qualquer momento. Precisamos buscar a ajuda de uma pessoa sábia e gentil, talvez um bom psicoterapeuta, que possa nos estudar de perto, espelhar adequadamente e validar o que vê. Pelos olhos dela, podemos aprender a estudar, talvez pela primeira vez, como realmente nos sentimos e levar a sério o que realmente queremos. Ao sermos vistos generosamente, podemos nos defender e nos sentir cada vez mais firmes, confiando em nós mesmos mais do que na multidão, sentindo que talvez consigamos dizer “não”, nem sempre balançando conforme o vento e sentindo que temos em mãos algumas das verdades essenciais sobre nós.


Ao nos conhecermos desta forma, ficaremos um pouco menos famintos por elogio, um pouco menos preocupados com a oposição – e muito mais originais em nosso pensamento. Teremos aprendido a arte vital e de conhecer e ser amigos de quem realmente somos.

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