O medo da felicidade

Se dependesse do quanto todos ansiamos ser felizes, poderíamos presumir que aceitar a possibilidade de felicidade em nossas vidas seria um processo descomplicado, sereno e automático, mas, para muitos, embora possamos estar teoricamente apegados à noção de ser feliz, a possibilidade de realmente sê-lo pode causar ambivalência profunda e medo. Parece que frequentemente preferiríamos ser tristes e preocupados em vez de tentar assumir os riscos sorrateiramente conectados em nossa mente com humores positivos. Podemos – por mais paradoxal que soe – simplesmente ter medo de sermos felizes.

Não há nada ganancioso ou bobo na felicidade. A habilidade de sentir satisfação com os bons momentos é uma tremenda conquista psicológica: é uma marca de seriedade profunda conseguir rir, brincar de luta de travesseiro com uma criança, saborear uma manga, tomar sol, às vezes sair mais cedo do trabalho para tomar sorvete e admirar uma flor.

A tristeza é óbvia; sempre há vários motivos para se desesperar. O medo também é seguro; se estivermos esperando pelo inimigo com a espada empunhada, podemos ganhar alguns segundos vitais se o golpe vier. Entanto, o movimento verdadeiramente corajoso e heroicamente desafiador (por conta do nosso histórico) seria ousar abaixar a arma, diminuir nossa preparação para catástrofe, resistir aos terrores embrenhados em nós durante décadas e, de vez em quando, acreditar que, espantosamente, por um momento, pode de fato não haver nenhum motivo para preocupação.

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