Identifique o que você ama

Sabemos que, em teoria, o trabalho pode ser agradável, mas raramente somos estimulados a isolar e analisar o que se pode chamar de “pontos de prazer” característicos de profissões diferentes. De maneira genérica, acreditamos que pode ser interessante trabalhar (digamos) como piloto, gerenciar um hotel, ser veterinário ou apresentar programas de televisão, mas ficamos tímidos na hora de procurar as fontes específicas de prazer em cada uma dessas ocupações. Reconhecemos que nem mesmo os melhores trabalhos podem ser estimulantes o tempo todo e que haverá dias de tédio e frustração. No entanto, se algum trabalho conseguir nos envolver o suficiente, isso provavelmente ocorrerá porque ele nos proporciona alguns momentos específicos de alta gratificação – e que estão em sincronia com aspectos centrais de nossa personalidade.

Para nós, é incomum dissecar trabalhos em busca desses pontos de prazer ou investigar nossa sensibilidade a diferentes funções. De modo geral, compreendemos bem o que os outros fazem, mas não tanto o que, em teoria, há de bom em determinadas ocupações. Devido a esse silêncio, talvez achemos difícil avaliar o que combinará melhor com o nosso gosto profissional.

Quais são os pontos de prazer a que somos mais receptivos? Esta talvez seja a primeira pergunta a se fazer, para só então pesquisar o mercado de trabalho em busca de onde esses prazeres estarão. Por mais especializado que seja um trabalho, os pontos de prazer que ele gera tendem a se encaixar em algumas categorias. Quando deixamos de nos concentrar em salário e requisitos técnicos, que são aspectos externos, qualquer trabalho pode se transformar em uma constelação única de pontos de satisfação.

A tarefa parece complicada porque ainda não desenvolvemos um vocabulário do prazer. No entanto, se fôssemos começar a esboçá-lo, chegaríamos a uma lista de pelo menos doze fatores para explicar o que passa pela cabeça das pessoas quando, de maneira superficial, dizem que “amam” seu trabalho.

Nenhum trabalho reunirá todos os doze pontos de prazer nem os oferecerá em igual medida. Portanto, para conhecer a própria identidade profissional, é vital determinar sua hierarquia da satisfação. Quando lemos uma lista de pontos de prazer, percebemos que algumas opções falam muito mais ao nosso coração do que outras. Então podemos começar a classificá-las em ordem de preferência. Nosso gosto pode nos surpreender. Temas inesperados podem vir à tona, reorganizando as prioridades. Ao analisar nossas reações diante dos diversos pontos de prazer, teremos material para construir nosso modelo particular do que procurar no trabalho que, algum dia, possamos vir a amar.

Tradução Cássia Zanon

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