Diplomacia no escritório

O prazo está chegando ao fim e uma pessoa da sua equipe não evoluiu muito na parte crucial do projeto designado a ele. Você está com vontade de se aproximar e insistir que ele imediatamente se esforce mais: Faça agora! A tentação para se tornar rígido e controlador é forte – e manter a rédea curta, sob sua vigilância se necessário, até ele acabar.

No entanto, há um problema enorme: suas exigências insistentes muito provavelmente minarão a capacidade de execução de seu colega. Ele se sentirá apressado e assediado, não conseguirá atingir o nível necessário de atenção e energia, cometerá erros. Igualmente significante é que ele se ressentirá: começará a ver você como um tirano a ser odiado em vez de um membro da equipe a ser auxiliado.
 
Quanto mais o trabalho exige o uso da mente, mais irritante a situação se torna. Quanto mais preocupada, oprimida ou ansiosa uma pessoa se sente, menos provável que os elementos criativos e delicados de sua mente sejam chamados à ação. Teoricamente, você poderia intimidá-la a realizar o trabalho – mas isto não será nada útil.
 
Desculpe entrar em contato, sei que posso parecer profundamente irritante e irracional. No entanto, queria saber como você está se saindo com o projeto. Seu trabalho é tão valioso que precisamos de você mais do que você possa perceber. Posso estar ansioso e talvez você tenha tudo sob controle, mas se puder tentar garantir que cumprirá (idealmente com folga!) o prazo que acertamos, ficarei muito mais tranquilo. Não é preciso dizer que estou muito grato – e profundamente ansioso por um contato seu assim que puder.
 
A estratégia e o vocabulário se originam de um lugar que não parece imediatamente ter alguma conexão com o escritório moderno: diplomacia internacional.  Ela recorreu a palavras como “possivelmente”, “talvez” e “quem sabe” para criar espaço para o consentimento livre (e não forçado) do outro. Usou elogio em vez de crítica e sugestão em vez de uma exigência intimidadora.
 
Em nosso pânico, tendemos a ficar rígidos e esquecer o que sabemos no íntimo. Nós mesmos não reagimos bem ao sermos incomodados. Em vez disso, é o sentimento de que somos amados, valorizados, reconhecidos e queridos que traz à tona o melhor em nossas capacidades cognitivas e constrói nossa motivação.
 

Pode parecer mais uma tarde frenética de segunda-feira, mas, na verdade, você está participando de uma luta honrosa e eterna: transformar uma verdade difícil em poderosa e atraente na mente complexa de outra pessoa.

Texto do The Book of Life

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