Comunicação Humana

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Aparentemente, estamos em uma Era dourada da indústria da comunicação. Este é um setor com crescimento de dois dígitos há mais de 20 anos. Praticamente o mundo inteiro está interligado e conectado. Podemos, do topo de uma montanha distante, enviar nossos pensamentos sem esforço algum a continentes distantes, via dispositivos mais finos do que um maço de cartas de baralho.

Telefones que cabem no bolso, apesar de serem equipados com a capacidade de supercomputadores, mostram melhorias milagrosas a cada semestre. Dessa forma, as empresas de comunicação podem continuar afirmando, assim como fazem em muitos de seus anúncios, que têm contribuição na nossa capacidade de nos comunicarmos melhor.

No entanto, há duas formas de entender o real significado de comunicação:

 

_ tecnicamente, a boa comunicação significa a capacidade de transmitir sinais de dados ou voz de forma eficaz e quase instantânea de uma pessoa para outra; e

_ psicologicamente, a boa comunicação diz respeito a nossa capacidade de se fazer ouvir e entender pelos outros sobre coisas que realmente importam, especialmente aquelas complicadas e desconfortáveis.

 

Para garantir a boa comunicação técnica, você precisa dos melhores roteadores, servidores, cabos de fibra óptica, sinais de wi-fi e satélites. Já, para ser um bom comunicador, considerando o aspecto psicológico, você precisa se capacitar com algumas habilidades de educação emocional:

 

_ confiança de que conseguirá se fazer ouvir pelos outros;

_ capacidade de entender o que você mesmo sente e pensa;

_ habilidade de desviar dos mecanismos de defesa de seu ouvinte;

_ capacidade de ser paciente e não agressivo ao transmitir mensagens;

_ mente aberta para ouvir ideias que possam parecer estranhas ou ameaçadoras; 

– cultura que dê legitimidade à ideia de que as pessoas conversam francamente sobre os assuntos mais vitais.

 

Apesar de nossa proeza extraordinária no lado técnico do processo de nos comunicar, nós, humanos, provavelmente fizemos pouco progresso para melhorar a qualidade da comunicação psicológica entre nós mesmos.

Ainda ficamos ranzinzas muito facilmente, não dizemos o que pensamos ou não conseguimos nos fazer entender. Apesar de todas as torres e satélites, ainda há muitos filhos não dizendo às mães exatamente como se sentem, esposas ou maridos que não ouvem os parceiros e colegas que não encontram as palavras certas para se entender.

Muito do que queremos dizer continua trancado dentro de nós ou viaja entre humanos de uma forma tão errônea como o curso de um pombo-correio de 200 anos atrás.

É hora de chegarmos a um entendimento mais amplo sobre o que uma empresa de comunicação realmente poderia ser: não apenas uma organização que garante que as pessoas se comuniquem tecnicamente, mas sim uma companhia que se disponha a facilitar o bom diálogo psicológico entre elas. Uma organização que dê às pessoas os dispositivos emocionais para garantir que as conversas importantes possam acontecer de maneira eficaz.

 Podemos sentir uma profunda gratidão pelas pessoas que nos deram o telefone. Sentiremos ainda mais gratidão pelas companhias do futuro que honrem adequadamente os ideais mais altos da comunicação humana.

 

Texto: The Book of Life

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