Como ser Diplomático


Diplomacia é uma arte que evoluiu inicialmente para lidar com problemas nos relacionamentos entre países. Líderes de estados vizinhos podem se incomodar com pontos de orgulho pessoal e ficar rapidamente enraivecidos; caso se encontrassem, poderiam começar a enfurecer um ao outro e começar uma guerra desastrosa. Em vez disso, aprenderam a mandar emissários, pessoas que pudessem declarar as coisas de formas menos inflamatórias, que não levariam as questões tanto para o lado pessoal, que pudessem ser mais pacientes e flexíveis. A diplomacia era uma forma de evitar os perigos que vêm com decisões tomadas no calor do momento. Em seus próprios palácios, dois reis podem estar tamborilando na mesa e xingando seus rivais, mas, nas silenciosas salas de negociação, o diplomata diria: ‘meu senhor está um pouco incomodado…’

Ainda associamos o termo “diplomacia” a embaixadas, relações internacionais e alta política, mas ele realmente se refere a um conjunto de habilidades importantes em muitas áreas da vida cotidiana, especialmente no trabalho e em casa, do outro lado da porta do quarto de quem amamos e que foi fechada com força.

Diplomacia é a arte de fazer uma ideia ou causa avançar sem inflamar paixões ou liberar uma catástrofe desnecessariamente. Ela envolve uma compreensão das muitas facetas da natureza humana que podem minar a concórdia e atiçar o conflito e um compromisso em não escolher ambos com clarividência e graciosidade.

Diplomatas conhecem a intensidade com que os seres humanos anseiam por respeito e, embora nem sempre possam concordar conosco, eles se esforçam para mostrar que se deram ao trabalho de ver as coisas como nós. Reconhecem que, para as pessoas, sentir-se ouvidas é quase tão importante quanto vencer o argumento. Suportamos muita coisa assim que alguém demonstra que, pelo menos, sabe como nos sentimos. Diplomatas, portanto, fazem um esforço extraordinário para garantir a saúde da relação em geral para que possa haver concessão nos menores itens ao longo do caminho sem atrair sentimentos de humilhação indomável.

O diplomata tem sucesso porque é realista; sabe que somos inerentemente falhos, irracionais, ansiosos, criaturas comicamente absurdas que atribuem culpa injustamente, diagnosticam mal suas dores e reagem de forma espantosa a críticas – especialmente quando são precisas – e, ainda assim, também têm esperanças quanto às possibilidades de progresso quando nossas perturbações são adequadamente ponderadas e cercadas de confirmação adequada, interpretação correta e respeito. A diplomacia busca nos ensinar quantas coisas boas ainda podem ser realizadas quando fazemos algumas acomodações necessárias com o material estranho, às vezes comovente e nem um pouco confiável da natureza humana.

 

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Tradução de Ligia Fonseca

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