A Psicologia das Cores


Assim como as notas do teclado musical e as letras do alfabeto, as cores são os blocos construtores de nossas emoções. Não é à toa que se diz que alguém está “vermelho de vergonha ou “verde de raiva”. Cada cor está conectada sutilmente a uma teia de experiências e associações. Algumas delas são altamente idiossincráticas: um amarelo em particular pode nos fazer lembrar da cozinha da avó já falecida ou de um par de botas que tínhamos na infância. Entretanto, outras transmitem significados mais universais. Explorar as associações que temos em torno das cores é uma forma de entender a nós mesmos e, igualmente importante, oferece uma maneira de dizermos aos outros quem somos.


AMARELO: ESPERANÇA


O amarelo é despreocupado e confiante. Não fica na defensiva. Atua como um escudo contra o desespero e sentimentos de humilhação. É faminto por nossa atenção, como uma criança feliz encantada de ser o centro das coisas. Às vezes, sua energia pode ser opressiva, mas, como seu embaixador mais famoso – o limão siciliano –, há poucas coisas que ele não melhora. O poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe amava amarelo e o considerava a cor de uma atitude gentilmente esperançosa diante da vida. Ele tinha uma coleção de vinte coletes amarelos, que sempre combinava com calças brancas – porque também amava um pouco de serenidade.


 
LARANJA: VITALIDADE

 


O laranja é um pouco mais maduro, forte e ameaçador do que seu vizinho e irmão amarelo. Ele quase pende para algo assustador. Há muito mais dele no interior fervilhante do sol, mas, na dose correta, parece uma concentração de energia e vitalidade que muitas vezes não temos em nossas próprias mentes e circunstâncias. Talvez seja arriscado pintar toda uma sala, carro, bandeira ou roupa dessa cor, pois pode pender para a obsessão, mas negar a sabedoria ocasional do laranja também parece errado. Deveríamos saber como incorporar momentos do que o laranja representa em uma vida equilibrada.


VERMELHO CLARO: AVENTURA

 


Um vermelho vivo e claro é aventureiro, sagaz, até um pouco sem coração. Não se incomoda muito com o que os outros pensam. Essa é uma tônica quando, muitas vezes, ficamos excessivamente ansiosos sobre a opinião das outras pessoas. O vermelho claro não é duro, só independente. Está mais interessado em ser seguido do que em ser um seguidor. É a cor de seu estandarte quando você sente que pode conquistar o mundo (ou alguma parte dele que tem importância para você).
 


VERMELHO ESCURO: PODER

 


Quando Napoleão se coroou imperador da França em 1804, usou um manto esplendido de veludo carmim. Essa é a cor dos tronos, dos cardeais, do poder e da pompa, da cerimônia e das festas. O vermelho escuro é solidário à autoridade e favorece a ideia de maturidade. É assertivo e confiante e pode funcionar como um lembrete de uma atitude mais exigente e insistente quando, por má sorte ou por nossos próprios erros, falhamos. Ele toca o fragmento de uma atitude napoleônica enterrada na alma de cada um.


VIOLETA: AMBIGUIDADE

 


Violeta é um vermelho que quase se transformou em azul. Tem um pouco dos dois, remete a ambos, e é isso que o torna misterioso, ambíguo e sugestivo. Os artistas do início do Renascimento gostavam de retratar anjos, ocupados em tarefas de misericórdia entre o céu e a Terra, usando roupas violetas. Para eles, a cor evocava a ideia de um “além” infinito que não era ameaçador nem perigoso, um lugar pelo qual podíamos ansiar, sempre ficava além do que se pode enxergar.
 


AZUL CLARO: CLAREZA

 


O azul claro é, inescapavelmente, a cor de uma manhã de céu aberto – com um vento frio, talvez, do norte ou da montanha. É uma cor para ser ativo. É destemida, alegre, pronta para levantar e enfrentar tudo o que você tem deixado de lado. Sombras, confusão, dúvidas e questionamentos se escondem quando o azul claro aparece. Ele nunca é cruel, só cheio de uma boa vontade revigorante. É lógico, claro. Admira a declaração simples e direta. Quer que você arrume a mesa.

 


AZUL ESCURO: DISCIPLINA


Esta é a cor da ordem e da disciplina. Ela nos diz para não desistir, para buscar reservas de resiliência. É decidida, confiável. O azul escuro não se distrai. Ele adere à tarefa principal, ao grande objetivo. Mantém o final em vista. Forte em vez de duro, corajoso em vez de feroz, é civilizado e direcionado. É o poder ao nosso lado, protetor e prestativo. É a cor de um pai bom e verdadeiro.


VERDE CLARO: SANIDADE

 


O verde claro tem a sensação fresca e natural da sanidade. É usado quando somos gratos em vez de invejosos. Quando não precisamos menosprezar os outros para nos sentirmos bem e quando estamos mais interessados em descobrir como as coisas vão bem em vez de reclamar por que não dão muito certo. Podemos usar esta cor para nos ajudar a focar em nosso poder de fazer algo – e não culpar os outros por nossas falhas ou duvidar de nossos pontos fortes.
 


VERDE ESCURO: REALISMO

 


Os domínios calmantes do verde mais profundo e acinzentado tratam do realismo. Esta palavra às vezes tem associações infelizes, como se fosse o oposto da esperança, mas, na verdade, existe esperança madura e realista. Esta emoção nos diz que as coisas são difíceis, mas que o pior vai passar, que o que temos pode ser suficientemente bom, que lidaremos e aguentaremos apesar de frustrações e concessões inevitáveis. Esta é a esperança que adquiriu um conhecimento adequado dos problemas da vida – mas não desistiu. Ela nos traz de volta para a sobriedade, a paciência e a moderação.

 


MARROM CLARO: DISCRIÇÃO

 

Esta é uma cor que não quer chamar atenção para si. É consciente do passado e sente sua atração nostálgica. Gosta do silêncio. É meditativa e suave, mas não diz respeito a nos fazer dormir. O marrom claro é nosso amigo quando queremos acalmar e evitar estímulo externo, para que as vozes mais baixinhas do mundo interno – as memórias incompletas, as tentativas de associação, os delicados momentos iniciais de um novo pensamento – possam ser ouvidas.
 

MARROM ESCURO: DIGNIDADE

 

Dignidade significa não ter de tentar impressionar. Você é seguro de si mesmo – de quem é e o que defende. Pode ser a cor de uma antiga mesa de mogno, com um relógio tranquilamente fazendo tique-taque ao fundo. O tempo é lento e amplo e não há pressa nem correria. O marrom escuro não é uma cor frenética – é o tom do conforto ou da terra escura em um dia úmido. Não é glamouroso, mas sim profundamente bom e confortador. É firme e confiável.

 

PRETO: AUTORIDADE

 

Preto é a cor perene da moda e da sofisticação no mundo moderno. É forte, sem ilusões. Flerta com o cinismo. É a cor menos ingênua e infantil. Precisamos de preto quando queremos manter a calma; já vimos muita coisa para nos deixarmos levar. É um lembrete da atração de ser um pouco duro, um pouco exigente e decisivo. Preto é enxuto.
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