A Importância da Eloquência

Eloquência é a tentativa de levar um conjunto de ideias complicadas à mente de outra pessoa usando a arte do encanto verbal. Gerenciar funcionários requer eloquência, instilar ideias em crianças exige eloquência e liderar um país envolve eloquência.

O conceito de eloquência é vital a qualquer missão educacional, pois as ideias que mais precisamos escutar são quase sempre as que, de alguma forma, preferiríamos ignorar – e, portanto, precisam do máximo de ajuda para serem absorvidas. Precisamos que as lições mais difíceis venham, de maneira sutil e inventiva, cobertas de encanto. Precisamos de uma aliança da educação com a eloquência.

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O contrário da comunicação eloquente é a insistência. A vontade de insistir é bastante compreensível, especialmente quando uma lição é importante. Mas, infelizmente, a insistência – a repetição obstinada, impaciente e enfadonha de uma mensagem – funcionará apenas com um pequeno número de pessoas que, de qualquer modo, já estão quase convencidas. A insistência não é capaz de mudar uma equipe – ou a humanidade. Isso estabelece uma situação trágica: o que os insistentes têm a dizer pode ser de suma importância, mas o modo como eles dizem, garante que a mensagem jamais será ouvida.

Precisamos da eloquência porque um dos principais problemas da mente é que sabemos muito da teoria de como devemos nos comportar e o que devemos fazer, mas nos envolvemos muito pouco com esse conhecimento em nossa conduta no dia a dia. Sabemos, teoricamente, que devemos ser pontuais, viver conforme nossos valores, focar nas oportunidades antes de ser tarde demais, ser pacientes e ter o coração aberto. Porém, na prática, nossa sabedoria intelectual tem uma capacidade notoriamente fraca de motivar nosso comportamento. Ao mesmo tempo em que está introjetado em nós, nosso conhecimento nos é ineficaz.

Embora a eloquência esteja associada ao uso de palavras sofisticadas e à capacidade de falar sem ler anotações, ela é, na verdade, um estudo atento de como fazer uma mensagem ganhar vida nas mentes de uma plateia. Algo baseado na triste conclusão de que expor nossas ideias de maneira lógica e precisa não costuma ser o suficiente.

A ideia da eloquência foi investigada com especial perspicácia pelo filósofo Aristóteles, em Atenas, em meados do século IV a.C. Aristóteles percebeu como um argumento frágil podia frequentemente triunfar em um debate público enquanto uma proposta muito mais sensata era ignorada. Ele não acreditava que isso se devesse à estupidez dos ouvintes, mas à forma como nossas emoções desempenham um papel muito grande na determinação de como as pessoas reagem ao que é dito e a quem diz.

Aristóteles não queria que pessoas de ideias nobres parassem de tentar ser eloquentes. Queria oferecer a elas as mesmas armas dos desonestos. O filósofo temia um mundo em que pessoas mal intencionadas soubessem como tocar as emoções do público, enquanto as pessoas sérias e valorosas ficavam presos aos simples fatos. Assim, algumas de suas palestras investigaram a arte da eloquência, dando origem a uma tradição filosófica de estudar como falar melhor com o objetivo de realmente se fazer ouvir.

Vários movimentos se apresentam por si só. Para começar, devermos cuidar para nos humanizarmos aos olhos de quem vai nos ouvir. Nosso instinto pode ser tentar reforçar nosso prestígio, enfatizando nossa experiência e autoridade, para abrir os ouvidos da plateia. Mas acabamos normalmente enfrentando outro problema totalmente diferente: corremos o risco do público não se envolver com o que dizemos por suspeitar que sejamos distantes, de outro mundo, indiferentes a suas preocupações reais e talvez até mesmo os vejamos com desprezo. O movimento eloquente, portanto, é sinalizar nossa humanidade comum. Podemos fazer uma piada autodepreciativa, confessar que estamos um pouco ansiosos ou falar um pouco sobre os acontecimentos extremamente chatos e comuns que ocorreram conosco no final de semana. Com isso, indicamos que também temos falhas e preocupações e às vezes nos sentimos confusos e tristes. Enfatizamos a experiência compartilhada para que algumas das coisas complicadas e incomuns sobre as quais precisamos falar podem parecer ter saído não de um autômato distante, mas da mente de alguém com quem todos são capazes de simpatizar e se identificar. A necessidade de se apresentar como alguém comum é especialmente importante quando não se é exatamente assim.

A eloquência é uma solução para um problema básico: nossas mentes são como uma peneira, retendo muito pouca coisa. Nós nos distraímos com facilidade, as emoções se sobrepondo facilmente ao intelecto. Inveja, medo e desconfiança imediatamente nos colocam em oposição à visão de outras pessoas. Nossa simpatia é movida mais pelos casos individuais do que por questões abstratas. Para que uma mensagem seja recebida e retida adequadamente, precisamos reconhecer as peculiaridades de nossas mentes. Não basta sermos precisos, concisos e lógicos. Precisamos fazer aquela coisinha ainda mais complicada: tocar os acordes do coração.

 

Texto do The Book of Life

Tradução - Cassia Zanon

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