A Agonia das Decisões

Durante a maior parte da História, não tivemos escolha com relação à maioria das coisas em nossa vida. Só podíamos realizar um trabalho, que seria escolhido por nossa família. Só havia um pretendente com quem poderíamos nos casar e nossos pais o escolhiam. Só havia um grupo de pessoas nas proximidades e não dava para evitá-las. Não havia chance de morar em nenhum outro lugar, não era possível comprar muita coisa, não havia notícias de longe e pouca coisa para invejar ou ansiar. Não adiantava nem questionar se estávamos felizes; nada poderia mudar se não estivéssemos. As pessoas existiam entre muros muito firmes e restritivos.

A modernidade nos “libertou” em todos os níveis. Podemos escolher que trabalho queremos, casar com quem desejamos, pedir divórcio a qualquer momento, viver em qualquer lugar, questionar, não obedecer a ninguém. Parece agradável e, de certa forma, realmente é, mas também é um fardo muito pesado e, às vezes, quase intolerável. Nada disso é estranho; pertence às agonias da modernidade.

A boa notícia é que escolher e tomar decisões são coisas que podemos aprender. Entretanto, raramente damos ao ato de tomar decisões o tipo de atenção cuidadosa que ele exige. Quando nos deparamos com uma grande decisão, não temos rituais e procedimentos. Em geral, procrastinamos, nos apoiamos na pessoa mais próxima ou nos apressamos para chegar a uma solução não examinada. Felizmente, a tomada de decisões é uma habilidade como qualquer outra.
 
Mas, sempre devemos nos atentar que o principal inimigo das boas decisões é a falta de perspectivas suficientes diante de um problema. Deveríamos pensar de forma sistemática e detalhada em um desafio por seis ângulos diferentes: olhos do nosso inimigo, nossa intuição, a coragem, a morte, o cuidado e nossos pais. Esse exercício nos dará a noção de possibilidade de expandir a mente e abrirá um caminho para nos tirar da confusão atual.

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