Cinco sinais de imaturidade emocional

O melhor da maturidade física é que ela é muito simples de identificar. Somos capazes de dizer com muita facilidade quando alguém ainda tem uma década de crescimento pela frente e, portanto, podemos definir nossas expectativas e nossos níveis de tolerância adequadamente. Mas não podemos nos dar esse luxo quando se trata de maturidade emocional. Nesse caso, podemos ser constantemente surpreendidos por quem está diante de nós. As formas mais impressionantes de imaturidade podem coexistir com todas as armadilhas da vida adulta e com um um jeito de ser confiante e inteligente. Em um relacionamento amoroso ou profissional, pode levar muito tempo para percebermos que estamos lidando sem querer com inexperiente emocional.

Vale a pena, portanto, tentar chegar a algumas diretrizes gerais sobre como é possível identificar uma pessoa emocionalmente imatura e, se necessário, evitá-la rapidamente. A seguir, algumas das afirmações que pessoas imaturas emocionalmente tendem a fazer durante uma conversa e que devem, no mínimo, acionar um alarme:

“Eu não sei muito bem como ficar sozinho.”

O que separa a pessoa madura da imatura é, talvez mais do que qualquer outra coisa, uma capacidade de ficar só, sem distrações, pensando a respeito de quem é e o que viveu. A pessoa madura é capaz de se permitir examinar e, por assim dizer, “sentir” seus próprios sentimentos, mesmo quando eles são muito difíceis e extremamente indesejáveis. Ela consegue encarar a própria raiva, a própria inveja, a própria vergonha. Ela não precisa fazer o que a pessoa imatura se sente obrigada a fazer: encontrar constantemente alguém ou algo para impedi-la de correr o risco de compreender a própria mente.

 “Eu não me lembro muito da minha infância.”

Há muito poucas infâncias nas quais não houve coisas difíceis. Sem que alguém tenha planejado que isso acontecesse, com as melhores intenções, o desenvolvimento das crianças é dificultado e prejudicado. O que conta, portanto, não é que alguém tenha tido uma infância “feliz” (quase ninguém no mundo teve isso inteiramente), mas que a pessoa possa ter uma visão tranquila e perspicaz de como foi a própria infância, com seus aspectos bons e ruins. Uma incapacidade de lembrar muito do passado não indica que ele tenha sido idílico ou apenas “há muito tempo...”, mas que ele não começou a ser processado.

“Eu nunca pensei muito nisso antes...”

As pessoas emocionalmente imaturas têm grandes dificuldades com conversas que exigem que elas se baseiem no conhecimento de seus próprios entusiasmos, tristezas, projetos e histórias. Assim, quando alguém se senta para beber com alguém imaturo e pergunta, por exemplo, por que seu último relacionamento terminou, ou o que é para essa pessoa um trabalho significativo, ou do que ela mais se arrependem da infância, há uma boa chance de receber (talvez gentilmente) uma resposta na linha de que tudo aquilo é novo demais e que ela “nunca havia pensado nisso antes”. Não é que a pessoa emocionalmente imatura esteja sendo cautelosa. Ela simplesmente não esteve propriamente presente, com suas dores e intensidade, na vida que está levando.

“Está tudo muito bem. Está tudo bem, tudo bem...”

Seria grosseiro ter má vontade com alguém de bom humor. No entanto, a pessoa emocionalmente imatura não costuma estar apenas de bom humor, ela é rigorosamente incapaz de ficar de mau humor. Tudo está sempre bem (os pais, o trabalho, o caso amoroso, a vida sexual, as ambições), por ela não tem recursos para lidar com algo que possa ser mais sutil e real, que pode causar raiva, perda, confusão ou desejos instáveis. Saímos de uma conversa com uma pessoa assim desorientados e solitários diante da ideia de que uma vida possa ser tão alegremente linear. 

“Isso não passa de psicologia barata…”

Assim que uma conversa ameaça sua integridade emocional, a pessoa emocionalmente imatura a encerra com o imperioso veredicto de que é uma bobagem muito complicada. Ela prefere recorrer a uma ideia de extrema simplicidade, como se as origens de todos os nossos problemas pudesse estar em pensarmos demais. É o tipo de atitude que pode levá-la a recomendar que uma pessoa ansiosa “se recomponha” ou a alegar que muito da angústia mental seja resultado de não se sair o suficiente. Mas é claro que nada disso vem da confiança: é uma maneira aterrorizada de tapar os ouvidos e dizer “não” a verdades que podem doer muito.

Pessoas emocionalmente imaturas podem ser extremamente encantadoras e, em momentos divertidos, de ter ao redor. Mas, como regra geral, seria aconselhável não as mantermos muito perto e voltar a procurá-las depois de uma ou duas décadas. Afinal, a vida é curta, interessante e solitária demais para passar muito tempo com quem não tenha interesse em tentar ser, no que importa, um adulto emocional. 

 

Texto do The Book of Life 

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